Outubro 27, 2008...7:33 pm

As diferenças do mercado brasileiro nas questões da inteligência competitiva

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Por Olívia Orlandine

 

As características do empresariado brasileiro em relação à Inteligência Competitiva (IC) apontam uma defasagem em comparação aos grandes mercados internacionais. Enquanto no EUA das 500 maiores empresas todas têm um departamento ou ao menos uma pessoa trabalhando no monitoramento do setor, no Brasil apenas cerca de 20% das 500 maiores companhias têm investido na coleta de informações.

 

O novo cenário econômico, menos volátil em relação às crises econômicas internacionais, deve gerar a solidez necessária para as empresas que desejam competir no mercado nacional. Mas antes de partir para a guerrilha é preciso conhecer os inimigos, e no caso da Inteligência Competitiva, é preciso também conhecer os grandes heróis. 

 

A gestão por IC vê no monitoramento da concorrência a oportunidade de antecipar as tomadas de decisões ao invés de apenas reagir às novas conjunturas. Numa economia mundial que vem sendo gerida pela rapidez dos processos de negócios, aumento da competitividade, excesso quantitativo de informações, velocidade no advento de novas tecnologias e agressividade da concorrência; essa precaução pode decidir não apenas o posicionamento da sua companhia no mercado, mas também se ela continuará na ativa, considerando que no Brasil quase metade das empresas fecham antes mesmo de completar cinco anos de atividade.

 

Reconhecer boas oportunidades e apontar tendências também faz parte da conjuntura da IC. O monitoramento não se restringe apenas às empresas de mesmo porte e concorrência direta. Algumas das melhores informações podem vir da observação das empresas líderes no segmento. A facilidade de acesso aos fornecedores e novas tecnologias, bem como o acúmulo de capital humano e por conseqüência, de conhecimento, colocam essas empresas como exemplos a serem seguidos.

 

As raízes culturais da IC ajudam a explicar a timidez das iniciativas brasileiras. Países como os EUA e a Rússia, personagens centrais de guerras mundiais, criaram máquinas públicas de espionagem e informação. Com o fim das eras de conflitos as estruturas se tornaram obsoletas e acabaram tendo suas finalidades ajustadas para o capitalismo globalizado. Os governos desses países podem ser, portanto, parceiros das grandes empresas multinacionais ao fornecerem informações e ao realizarem trabalhos em conjunto de coleta de dados e conhecimento, como é o caso da Rússia, ou modelo inspirador como é o caso da sociedade civil nos EUA.

 

Outros traços históricos e culturais podem determinar como a IC será utilizada em cada nação. A Suécia, por exemplo, possui um mercado voltado para o comércio exterior, diminuindo a pressão da concorrência entre as empresas no território nacional e aumento o fluxo de troca de informações, que conta ainda com órgãos governamentais e auxílio das filiais transnacionais na busca de informações extra-fronteiriça.

 

O mundo corporativo brasileiro reconhece o padrão atual como a era da informação e tecnologia, mas ainda é preciso aprender como utilizar as ferramentas disponíveis para reconhecer boas oportunidades e reduzir riscos; levando em consideração informações internas e externas à empresa que podem afetar os planos, decisões e operações da companhia.

 

Conhecer as capacidades, vulnerabilidades e intenções dos seus competidores podem determinar sua posição no mundo dos negócios.

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